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14 verdades sobre a Selic a 14,25%

A Selic sempre me fascinou, tanto que foi tema da minha dissertação no mestrado em Teoria Econômica. Não é louco que o Banco Central, a cada 45 dias, defina uma taxa de juros e ela sirva de referência para todos os brasileiros? Uma taxa que deve equilibrar a economia, sem sobreaquecer nem resfriar demais… complexo!

Pois bem, depois de cinco altas consecutivas, cá estamos nós com Selic a 14,25% ao ano. Muito é dito por aí, mas o que isso significa de fato? 

Do meu ponto de vista, como planejadora e analista financeira independente, listo abaixo 14 verdades sobre esse nível de taxa para seus investimentos: 

1. Sua reserva de emergência vai render muito bem, obrigada

Todo mundo deveria ter de 3 a 12 vezes seu custo mensal investidos de forma conservadora, para emergências. E a Selic (muito próxima ao CDI) é o retorno do investimento de menor risco.

2. Título Tesouro Selic segue o melhor investimento pra reserva

Faça juro alto, faça juro baixo, com o dinheiro da reserva de emergência não se brinca, tem que ser aplicado de forma conservadora.

3. Fundo taxa zero segue a melhor forma pra investir a reserva em Tesouro Selic

É prático, nunca fechou pra aplicação e resgate (ao contrário do Tesouro Direto) e, pra mais de R$ 10 mil, rende mais do que o título investido diretamente – a taxa de custódia da B3, que não incide no fundo, pesa mais que o come-cotas pro dinheiro de curto prazo. E tem em várias corretoras, com aplicação mínima baixa: BTG, Genial, Toro, Rico e XP.

4. Não, o CDB não se tornou a melhor opção pra reserva de emergência

Vi essa conclusão absurda em uma matéria dia desses. Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) que mais rendem são aqueles em que você empresta dinheiro pros bancos médios, em que o risco de quebra é maior.  Você vai correr o risco de ficar sem acesso aos recursos por um tempo (lembrando que o FGC não libera dinheiro de um dia pro outro) pra ganhar uma merreca a mais? Não faz sentido.

5. Não, os títulos indexados à inflação ou prefixados não se tornaram o único investimento óbvio

Tem tempo que tem gente falando isso e, a cada vez que o mercado passou a esperar mais alta de juros, esses títulos vieram perdendo valor. E surgiram opções melhores. Pra quem carrega até o vencimento, o juro está definido, mas escolher entre indexados e prefixados, o melhor vencimento, quando comprar e vender, não é tarefa para amadores – e a volatilidade é alta.

6. Sim, investimentos de mais alto risco ainda podem render mais

Enquanto repetem por aí que nada baterá a Selic de dois dígitos, o Ibovespa sobe 9,7% no ano, enquanto o CDI está em 2,6%. Vários fundos de ações sobem mais do que dois dígitos, um fundo de ouro não dolarizado sobe 18%. Fundos com crédito bem selecionado também ultrapassam o referencial. Para o dinheiro com horizonte mais longo, correr mais risco pode se pagar.

7. O caixa dos fundos vai render mais

Quando um investidor profissional faz um investimento, ele leva em conta o custo de oportunidade: se considerar que não há opção com maior potencial de ganho do que o CDI, pode deixar um pedaço do patrimônio investido ali até uma boa alternativa surgir. 

8. Muitos gestores profissionais têm visto oportunidades relevantes em ativos de risco

Muito dinheiro em caixa não é o que vemos hoje: muitos gestores estão com caixa reduzido por verem ativos baratos demais. Na Bolsa, por exemplo, alguns profissionais de ótimo histórico, que acompanham empresas investidas de perto, têm considerado os preços de negociação das ações baratos demais no comparativo com a realidade das empresas.

9. A diversificação segue a melhor opção para o seu portfólio

A defesa da diversificação já rendeu até prêmio Nobel de Economia. Como não temos bola de cristal pra saber o que vai render mais no futuro, o recomendado é montar uma carteira diversificada, com investimentos atrelados à Selic sim, mas não somente eles. Essa é a melhor forma de perseguir retorno no longo prazo controlando risco.

10. Se a renda fixa brasileira fosse essa Coca-Cola toda, os gringos só investiriam nisso

Os investidores profissionais estrangeiros também poderiam encher os bolsos de título público brasileiro se quisessem, mas seguem diversificando globalmente – e inclusive reforçando o fluxo pra Bolsa brasileira. É deles uma parte relevante do dinheiro que tem impulsionado a alta das ações locais neste ano.

11. O Brasil não é uma ilha, seu portfólio também não deveria ser

Os juros também estão altos para patamares históricos em outros países do mundo, como nos Estados Unidos. Ao investir em títulos indexados ou prefixados por meio de gestores profissionais, como bons multimercados, você diversifica potencial de retorno e risco – eles não investem somente em Brasil.

12. Se a Selic está subindo, é porque a inflação também está

O Banco Central tem elevado a meta para a Selic para tentar controlar a inflação, ou seja, o aumento no nível geral de preços, que você deve ter percebido no supermercado. E ela pode comer uma parte relevante do seu retorno na renda fixa conservadora.

13. Se a Selic está subindo, é porque o risco Brasil também está

A Selic é o taxa que o governo paga quando você empresta dinheiro pra ele. Quem precisa pagar mais normalmente é quem é percebido como de maior risco. E você vai ficar com todo o dinheiro investido na renda fixa brasileira?

14. A poupança se torna uma opção cada vez pior pro seu investimento

Não custa falar sobre a queridinha de muitos brasileiros: enquanto a Selic sobe, o retorno da poupança segue praticamente igual. Se você colocou um dinheiro na poupança há 2 anos, consegue resgatar hoje com retorno de 15,6%. O mesmo valor investido em fundo taxa zero de Tesouro Selic é sacado com ganho já descontado de imposto de 21,8% – detalhe, sem correr mais risco.

Um abraço,

Luciana Seabra.

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